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Pedro de Toledo,06/11/2026

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Carla Louise

Em tempos de tantas vozes, quem de fato tem uma escuta ativa?

Quem ainda sabe ouvir?


Em tempos de tantas vozes, quem de fato tem uma escuta ativa?

Por Carla Louise/Jornalista e Assessora de Imprensa

Tenho mais de 30 anos de atuação no mercado da comunicação e de assessoria de imprensa, já há tempos se fala que estamos na era da informação, mas eu costumo dizer que estamos no auge da comunicação.

Hoje existem inúmeros canais para expressar opiniões, compartilhar experiências e participar de debates, seja por mensagens diretas ou por posts nas diversas redes sociais existentes, nunca se teve tanta publicação de pensamentos, comentários, acontecimentos e, tudo ao mesmo tempo agora.

Mas, em meio a tantas vozes, uma pergunta merece ser feita: quem de fato tem uma escuta ativa?

Nos trabalhos de mentoria que realizo, usamos um termo muito importante que é a Escuta empática ou escuta ativa. Ou seja, escutar de verdade o que o outro está falando, assimilar a mensagem, ter ciência... E isso é muito diferente do que apenas ouvir para rapidamente reagir.

A tecnologia encurtou distâncias, facilitou a comunicação, mas está longe de ser o espaço democrático a que se propõem realmente. O que deveria ser ponte para aproximar as pessoas, se tornou um palco de arenas de opiniões, onde frequentemente importa mais ter razão do que compreender o outro. E isso, infelizmente, distancia as pessoas.

O silêncio, que deveria ser parte fundamental de qualquer diálogo, passou a ser interpretado como ausência, fraqueza ou falta de posicionamento. Parece que precisamos ter uma opinião sobre tudo, imediatamente, como se pensar antes de falar fosse um luxo incompatível com os tempos modernos.

E eu me pergunto se esse não seja, justamente, o maior desafio da nossa sociedade, precisamos reaprender a ouvir.

Não digo que é necessário apenas concordar com o que o outro diz, pelo contrário, a discordância de ideias e de posicionamentos é o que faz uma democracia ser tão importante.

Significa reconhecer que existe uma história por trás de cada pessoa, uma perspectiva além da nossa e uma complexidade que dificilmente cabe em um comentário de poucas linhas ou um pré-julgamento por que aquele pensamento difere do meu e, por isso, deve ser retaliado ou mesmo ignorado.

Como jornalista, aprendi que uma boa pergunta pode revelar muito mais do que uma resposta apressada, pois a essência da comunicação não está apenas na capacidade de transmitir uma mensagem, mas também na disposição de compreender aquilo que o outro tem a dizer.

E nessa lógica da urgência em que vivemos, a informação precisa chegar primeiro, a opinião precisa ser publicada agora e a indignação precisa logo encontrar uma plateia. E nesse ambiente, infelizmente, a escuta empática perde espaço para a reação imediata.

A empatia, palavra tão repetida nos discursos contemporâneos, começa justamente onde termina a necessidade de sermos protagonistas de todas as conversas ou então, dar a última palavra em uma argumentação... Não, não dá pra simplificar assim, mas também acho que não dá mais pra viver assim.

Acredito que é chegada a hora de resgatarmos algo que é aparentemente simples, mas profundamente transformador, que é a curiosidade genuína pelo outro. Fazer perguntas sem preparar antecipadamente as respostas, discordar sem desrespeitar e reconhecer que, praticamente todas as nossas certezas, podem ser revistas se conseguirmos olhar pelo prisma do outro.

Não é uma tarefa fácil, diria até que é um exercício muito cansativo e doloroso, mas também nos ajudará a sair do raso das nossas opiniões pré-concebidas, para mergulhar no oceano profundo que é a existência de cada um de nós, seres humanos.

E talvez, no meio de tanto barulho, a verdadeira revolução comece quando alguém decide, finalmente, ouvir. Escuta ativa é trabalhoso, mas é libertador e pode mudar o rumo de muitas histórias.




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